Visto de trabalho para a Alemanha

06/05/2019 Cintia Romano

Ano passado, meu marido conseguiu um visto de trabalho para a Alemanha e nos mudamos para Berlim.
Ele trabalha em uma área bem específica de TI e foi encontrado pela empresa através do LinkedIn.

Na internet tem mil informações, mas há algumas peculiaridades que não achamos em lugar nenhum e resolvemos compartilhar para auxiliar quem está passando por uma situação parecida.

Neste post, vamos focar apenas em vistos de trabalho (pois há diversos tipos de vistos além desse – para estudar, para estágio, para procurar emprego etc):


1) Visto para profissionais com diploma – o Blue Card

A Alemanha tem déficit de profissionais em algumas áreas (como saúde e TI, por exemplo) e por isso, “facilita” a imigração de profissionais qualificados e diplomados nessas áreas.

Com o Blue Card, é possível obter um visto de trabalho por 4 anos (na Europa e não apenas na Alemanha) e após esse prazo, requerer a residência permanente.

Dentre toda a documentação que deve ser apresentada ao Consulado, é necessário ter um diploma de bacharel (de mínimo 4 anos) e a faculdade deve estar listada na base de dados da ANABIN (banco de dados online que disponibiliza as universidades e cursos reconhecidos na Alemanha).
O link para consultas é http://anabin.kmk.org/no_cache/filter/institutionen.html

Este é o “mundo ideal”, mas há outras formas, mais burocráticas e emocionantes (rs), porém possíveis, de se obter um visto de trabalho.



2) Visto para profissionais com diploma diferente da área de atuação, não bacharel ou quando a faculdade não está listada na base da Anabin – Arbeitsvisum

Nos casos acima, quando o profissional tem uma formação universitária, mas trabalha em outra área (caso do meu marido que é formado em Marketing, mas trabalha há 15 anos na área de TI), quando o curso é de tecnólogo e não de bacharel (portanto, não tem a duração de 4 anos – exemplo: Fatecs) ou, mesmo quando o profissional tem um curso de bacharel de 4 anos, mas a faculdade em que ele estudou não está na lista de universidades/cursos reconhecidos pela Alemanha), é possível aplicar para o Arbeitsvisum, que é um visto para trabalhar somente na Alemanha.

Vivemos essa experiência na pele e ficamos muito ansiosos até tudo dar certo. Neste caso (e no caso abaixo), é essencial ter a aprovação do “Ministério do Trabalho” alemão (Bundesagentur für Arbeit).
A empresa que contratou meu marido fez todo o trâmite burocrático para a obtenção dessa aprovação diretamente na Alemanha, que na verdade, é uma justificativa que, embora o profissional não tem o bacharelado na área, sua experiência profissional substitui o diploma, sendo ele considerado um especialista.

Para aplicar para esse visto, além da documentação básica (fotos, formulários, certidões, contrato de trabalho, seguro viagem, o diploma traduzido e apostilado), ele levou também essa autorização do Ministério do Trabalho alemão – chamada “Arbeitsmarktzulassung”, algumas cartas de recomendação dos últimos empregos (informando o período trabalhado, assinada pelo RH ou direção, com firma reconhecida da assinatura e traduzida por tradutor juramentado) e certificados de cursos da área de atuação.



3) Visto para profissionais sem diploma – Arbeitsvisum

É basicamente igual à situação 2, mas nesse caso, o profissional não tem nenhum diploma.
Não sabemos, na prática, se o fato de ter um diploma (mesmo que de tecnólogo ou de outra área) ajuda mais (ou não) na obtenção do visto. Da cabeça de juiz e de oficiais de consulados, é possível sair tudo!

Então, se você não tem nenhum diploma, é essencial que a empresa que está te contratando consiga provar para o Ministério do Trabalho que nenhum alemão ou cidadão europeu tem a expertise que você tem.
Com essa aprovação em mãos, a “Arbeitsmarktzulassung”, mais todos os demais documentos, inclusive as cartas de recomendação dos empregos anteriores (não adianta levar a CLT, o consulado não aceita) e certificados de cursos na área de atuação (se você tiver), é possível, também conseguir o visto de trabalho.


……………

Como casal, nossa experiência foi a seguinte:

O visto (temporário – 6 meses) ficou apenas no passaporte do meu marido. Eu e meu filho entramos na Alemanha como turistas (mas acompanhados do meu marido que já tinha visto) e, posteriormente, obtivemos o visto de reunião familiar.

A recomendação do Consulado é um voo direto do Brasil à Alemanha, sem escalas em outro país (então a empresa comprou as passagens da Lufthansa, que, pelo que pesquisamos, é a única que faz voo direto pra Alemanha e também enviou uma comunicação sobre nossa chegada, ao departamento de imigração, pois nossas passagens eram apenas de ida).

Eu fiquei meio pilhada com isso, imaginando que eu e meu filho seríamos deportados por sermos brasileiros indo apenas com passagem de ida, pois havia pesquisado em grupos e cada um falava uma coisa, o que me deixou meio insegura. Por isso estou postando nossa vivência, para acalmar algum coração aflito como o nosso foi um dia!
Deu tudo certo: o oficial de imigração do aeroporto de Frankfurt olhou o visto do meu marido, comparou nossos passaportes e meu marido disse a ele que eu e meu filho iríamos aplicar para o visto de reunião familiar. Passaportes carimbados, entrada autorizada!

Chegando em Berlim, a empresa que meu marido trabalha nos auxiliou a solicitar o visto de reunião familiar para mim e para o meu filho.
Esse visto vale por 3 anos e nesse período eu também posso trabalhar aqui.



Outros dados importantes:

– a autorização do Ministério do Trabalho (Arbeitsmarktzulassung) demorou exatas duas semanas para sair (duas semanas muito longas, diga-se de passagem! rs)

– o visto provisório no Consulado Alemão de São Paulo foi concedido em 1 dia!

– o contrato de trabalho do meu marido é por prazo indeterminado. Após nossa chegada na Alemanha, demos entrada no visto definitivo e o mesmo foi concedido por 3 anos. Passado esse período, o visto deve ser renovado (mas acredito que a renovação seja mais tranquila).


Essa foi nossa experiência, só pra vocês terem uma ideia, os prazos podem variar pois cada caso é um caso.

Para maiores informações, o site da Embaixada Alemã no Brasil é http://www.brasil.diplo.de/Vertretung/brasilien/pt/Startseite.html


Qualquer dúvida, deixem um comentário.

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Olá! Eu sou a Cintia. Eu e minha família atualmente moramos na região de Lisboa, Portugal, mas já moramos em Berlim, Alemanha, antes de mudarmos para cá. Aqui falarei sobre o nosso dia-a-dia, literatura infantil, passeios, viagens com crianças, burocracias, como foi nossa mudança do Brasil para a Alemanha e da Alemanha para Portugal (ufa!), as dificuldades iniciais, adaptação, cidadania italiana e muito mais! Leia Mais

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